domingo, 30 de novembro de 2014

Identidades Perdidas




Intitulados de «potencialmente perigosos», de «armas» ou de «assassinos», as raças Tosa Inu, Fila Brasileiro, American Pitbull Terrier, Rottweiller, Dog Argentino, Stafforshire Bull Terrier e Stafforshire Terrier Americano, veem assim, as suas identidades perdidas. Mas afinal o cão é o espelho do Homem ou o Homem é o espelho do cão?

Foram várias as manchetes, na imprensa portuguesa, sobre ataques de cães a pessoas. Desde há 11 anos para cá, as leis sobre as «raças potencialmente perigosas» sofrem constantes alterações.
Em 2008, em entrevista para o Jornal Nacional, da TVI, Miguel Sousa Tavares afirmava que um “cão de ataque não tem outra finalidade se não atacar”, acrescentando que “não consigo perceber para que é que uma pessoa quer um cão destes, isto é uma arma”.

“Os cães denominados de potencialmente perigosos são tão perigosos como qualquer outra raça”, afirma o veterinário da Clínica Restelo Vet, Nuno Pauleta. “Simplesmente eles têm um porte físico que, quando se tornam agressivos, causam danos muito maiores do que as outras raças”, acrescenta.

Para alguns, talvez seja difícil entender que o cão é o espelho do Homem. Talvez seja altura de criar e repensar em novas leis que punam verdadeiramente o Homem e não o animal. Pois a maioria dos ataques de cães a pessoas, acontecem porque os donos não tomam as devidas precauções.

“Existem de facto raças mais poderosas do que outras e com instintos mais presentes do que outros. Estas raças têm um instinto de caça e defesas superiores a outras raças. No que diz respeito aos donos, existem de facto donos perigosos. O dono perigoso é aquele dono que não socializa o cão com outros cães e com pessoas. Que não treina nem disciplina o seu cão”, afirma Miguel Godinho, treinador de cães da Quinta D´Alcateia.

Respondendo às afirmações de Miguel Sousa Tavares, penso que foi infeliz nas suas palavras. Respostas destas vêm de quem não tem nem quer ter conhecimento sobre este assunto.

Para quem não sabe, sou dona de um american staffordshire terrier, atualmente com 11 anos. Se não tivesse tido a oportunidade de viver esta experiência, de conviver com um cão intitulado de raça potencialmente perigosa, talvez hoje, tivesse a mesma opinião que a maioria da sociedade.

Não posso dizer que estes 11 anos tenham sido um “mar de rosas”. Infelizmente, o meu cão passou por experiências menos agradáveis na sua vida. A culpa não foi dele, foi de quem pensou que ter um cão destes é a melhor solução para intimidar os outros.

Os que me conhecem, bem como a história/evolução do meu cão, ficam maravilhados a olhar para ele e pensam: “quem o viu e quem o vê”. É verdade, concordo com vocês. Atualmente é um cão mais sociável, carinhoso e brincalhão. As pessoas ficam espantadas quando digo a idade dele. Mas é verdade, tem 11 anos.
Por isso eu digo, se um dia o salvei, um dia ele também me salvou.


Em Portugal, mais de 10 mil cães das sete raças definidas como potencialmente perigosas estão registados na Direção-Geral.

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