Andreia Teixeira: A Federação Internacional do pitbull tem trabalhado na defesa do American Pit Bull Terrier em vários países. Quais as medidas mais importantes que tendem a ser trabalhadas?
Paulo Coelho: A FIAPBT tem delegações em 24 Países e as medidas mais importantes passam por estabelecer contactos com os governos de cada País no sentido de desmistificar e dar a conhecer a verdade sobre o APBT, bem como lutar contra leis injustas que tendem a ser criadas por desconhecimento e preconceito infundado sobre a raça.
Andreia Teixeira: Portugal tem como objetivo a abolição de raças perigosas. O que sente com esta atitude do Governo Português? Será que algum dia esta raça irá mesmo acabar?
Paulo Coelho: As leis são quase sempre criadas por interesse das partes implicadas, portanto na lei dos potencialmente perigosos é uma questão de interesse da abolição de determinadas raças por parte de agentes (criadores de cães e outros) que fazem parte de órgãos dirigentes de instituições no mundo da canicultura em vários países. Correntes de interesses organizadas com poder junto de quem cria as leis…desta forma eliminam as raças da moda que lhe fazem concorrência. Ao contrário do que estas correntes de interesse querem fazer passar, a raça por si não é fator determinante na agressividade do animal.
Em Portugal não é exceção e a corrente de interesse foi a mesma, juntado o fator politico de ter de se fazer qualquer coisa à pressa, mesmo que mal feita aquando de alguns incidentes com cães que foram massivamente passados nos órgãos de comunicação social.
O APBT (puro) nunca irá acabar, continuará sempre a estar nas mãos de quem lhe dá valor.
Andreia Teixeira: Os pitbull são considerados cães dóceis para com as pessoas, mas cada vez são mais os casos de ataques de cães às pessoas. Porquê?
Paulo Coelho: O verdadeiro APBT é tímido e completamente inofensivo com pessoas. Existem vários vectores responsáveis pela associação do nome Pit Bull a ataques de cães a pessoas, entre os quais:
• Hibridismo: mais de 94% dos animais a que apelidam de Pit Bull nada tem a ver com o Verdadeiro APBT.
Os verdadeiros APBT estão na mão de um número restrito de pessoas de classe media/alta, e são elementos importantes no seio destas famílias que os tratam com amor e carinho. A verdade é que no meio unicamente restrito ao verdadeiro APBT (100% puro), nunca se constou qualquer incidente com humanos, mesmo a nível mundial. Não existe qualquer fonte credível que relate isso.
• Indefinição; O APBT não tem um padrão morfológico oficial, logo apelidam de Pit Bull tudo o que tenha 4 patas, duas orelhas e 42 dentes por conveniência. Dai que é fácil atribuir o nome sonante de APBT a qualquer cão envolvido em incidentes com humanos.
Andreia Teixeira: Porque é que acha que sempre que algum cão de “raça perigosa” age como um herói os media não fazem disso notícia?
Paulo Coelho: Geralmente as notícias que tem por bases causas nobres não se vendem, a não ser que as mesmas possam ter um impacto sobre massas. O cão geralmente não faz parte do universo de notícias boas que tenham interesse para a comunicação social.
Andreia Teixeira: Considera que os media são os principais culpados pela imagem que as pessoas têm destas raças? Porquê?
Paulo Coelho: Os órgãos de comunicação social vendem notícias. Para muitos diretores/editores de órgãos de comunicação social e jornalistas unicamente importa o impacto que a notícia tem na população. Os media são conhecedores que uma parte significativa da população tem medo e fobia de animais ferozes e é sempre uma notícia vendável e facilmente colocada no mercado de informação.
Dai que é fácil associar à notícia nomes sonantes como Pit Bull e outros que causam impacto junto da população, quando na realidade, e na esmagadora maioria dos casos os incidentes com entre cães e humanos se deram por cães de raça indeterminada e comuns na nossa sociedade.
Convém novamente realçar que o verdadeiro APBT (animais puros) não é um animal comum, e os poucos que existem estão nas mãos de poucas pessoas, entre as quais forças militares, polícias e órgãos de proteção civil. Onde os mesmos são treinados entre outras coisas para salvamento e busca de pessoas, terapia com crianças deficientes etc….
Andreia Teixeira: Infelizmente as lutas de cães são uma prática corrente. O que é preciso fazer-se para acabar com este hábito?
Paulo Coelho: Lutas de cães não são, nem nunca foram um hábito em Portugal. Não existe qualquer referência a isso na atualidade ou no passado, tirando casos isolados sem qualquer relevância.
Andreia Teixeira: Portugal tem muitas leis/restrições para com os cães considerados potencialmente perigosos. Que lei acha que deveria ser imposta para pessoas que maltratam os animais?
Paulo Coelho: A lei em vigor tem punições para quem maltrata animais.
Andreia Teixeira: Qual a maior qualidade e defeito desta raça?
Paulo Coelho: A maior qualidade o APBT puro é sem dúvida o apego e dedicação aos seus donos.
Para mim o APBT é perfeito em todos os aspetos, dai que a enumerar algo como defeito só mesmo o sucesso da raça que acaba por condenar a mesma.
Andreia Teixeira: Qual o seu maior desejo profissional para com o pitbull?
Paulo Coelho: O trabalho que desenvolvo em Espanha há década e meia com esta raça está exposto e é uma referência mundial, dai que em termos profissionais não existe muito mais a conquistar. No entanto, desejo continuar a ter condições em todos os aspetos para poder continuar a criar excelentes cães até ao fim dos meus dias.
Andreia Teixeira
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